
SÃO FRANCISCO, 5 de março de 2012 /PRNewswire/ -- A Comissão especial da Câmara dos Deputados do Brasil deve votar nesta terça-feira o projeto da "Lei Geral da Copa do Mundo de 2014", mas as relações entre o governo brasileiro e a direção da FIFA (Federation International de Football Association) se deterioram totalmente, depois dos comentários machistas do secretário-geral da entidade, Jérôme Valcke. No mês passado, Valcke declarou: "Bebidas alcoólicas fazem parte da Copa do Mundo da FIFA e, assim, nós vamos tê-las. Me desculpem se pareço um pouco arrogante, mas isso é algo que não vamos negociar".
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Valcke provocou respostas explosivas no Brasil, quando ele declarou na sexta-feira: "Você tem de se esforçar, levar um pontapé no traseiro e fazer essa Copa do Mundo acontecer". Esse comentário arrogante levou a uma forte resposta do ministro dos Esportes brasileiro, Aldo Rebelo, no sábado: "Em vista dessas declarações, que são comentários inadequados e inaceitáveis para qualquer tipo de relacionamento, o governo brasileiro... não aceita mais o secretário-geral Valcke como interlocutor". O assessor presidencial brasileiro Marco Aurélio Garcia adicionou combustível ao fogo, no domingo, chamando Valcke de "boquirroto" e "vagabundo".
Em um esforço para reduzir a violência nos esportes, derivada do álcool, e proteger a saúde pública em geral, a venda de bebidas alcoólicas foi banida nos estádios de futebol no Brasil, desde 2003. Um estudo da Organização Mundial de Saúde, que incluiu o Brasil, mostrou que cerca de 46% dos incidentes de violência tratados nas unidades de emergência dos hospitais são relacionados ao uso de álcool.
A FIFA tem contratos de longo prazo com a Anheuser-Busch InBev (A-B InBev), que tornam a Budweiser a cerveja oficial da Copa do Mundo. O problema da FIFA é que a Copa do Mundo será realizada no Brasil, em 2014, na Rússia, em 2018 e no Catar, em 2022, e todos esses países proíbem a venda de bebidas alcoólicas para proteger os torcedores, especialmente as famílias e as crianças. A proposta da FIFA exige que o consumo de cerveja seja permitido nas arquibancadas e o de todas as bebidas alcoólicas, nas seções VIPs. O crescimento das vendas de bebidas alcoólicas em locais licenciados, próximos aos estádios, aparentemente não é o bastante para o lucro da A-B InBev e da FIFA. A A-B InBev não quer nada mais do que levar a Budweiser e a marca nacional Brahma de volta para os estádios, onde a violência era estimulada pela cerveja
"Parabéns ao governo brasileiro por considerar, refletidamente, que a segurança pública e a soberania nacional são mais importantes do que dançar de acordo com a música da FIFA", disse o diretor-executivo e CEO da Alcohol Justice, Bruce Lee Livingston. "A FIFA está agindo como um bando de hooligans no Brasil, falando duro e promovendo objeções sujas à legislação", acrescentou.
A oposição brasileira e internacional contra a revogação da proibição está crescendo. A estrela do futebol brasileiro e deputado federal Romário de Souza, que apoia a proibição de bebidas alcoólicas, disse: "Quando Valcke usou a expressão 'dar um chute no traseiro', eu a considerei mal-colocada e mal-educada".
O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (www.idec.org.br) lidera uma campanha contra a "Lei Geral", por causa de diversas questões de proteção e de responsabilidades do consumidor, enquanto outros defendem a categoria de ingressos de meia-entrada para índios, bem como para idosos e estudantes.
Grupos de defesa da saúde pública europeus e globais também estão se mobilizando. Da Suécia, o presidente da IOGT International, Sven-Olov Carlsson, representando uma organização global, com membros da África, Ásia e EUA, disse: "Não podemos aceitar que a FIFA queira ameaçar o divertimento do jogo, a segurança das crianças e das famílias e o desenvolvimento social positivo da sociedade brasileira".
"A Alcohol Justice se alia à IOGT International e outros grupos de defesa do consumidor e da saúde pública do mundo, em apoio ao direito de assistir o principal evento esportivo mundial sem a violência induzida pelo álcool", disse Livingston. "A FIFA precisa renunciar a seu trabalho sujo de tentar recolocar a A-B InBev nos estádios do Brasil e nenhum país deve comprometer sua saúde e segurança pública em troca de vendas de cerveja", declarou.
Para mais informações, visite AlcoholJustice.org
CONTATOS: Michael Scippa 415-548-0492
Jorge Castillo 213-840-3336
FONTE Alcohol Justice
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